The Culture of Narcissism: American Life in an Age of Diminishing Expectations

[a educação de massa] Nem desenvolveu a compreensão popular da nova sociedade, ou aumentou a qualidade da cultura popular, nem reduziu o abismo entre riqueza e pobreza, que permanece tão grande como sempre foi. Por outro lado, contribuiu para o declínio do pensamento crítico e para a erosão dos padrões intelectuais, forçando-nos a considerar a possibilidade de que a educação de massa, como os conservadores sempre argumentaram, é intrinsecamente incompatível com a manutenção da qualidade educacional.

A ideologia do crescimento pessoal, superficialmente otimista, irradia um profundo desespero e resignação. É a fé dos que não têm fé.

A publicidade moderna procura promover não tanto a auto-indulgência, mas a autodúvida. Ela procura criar necessidades, não satisfazê-las, gerar novas ansiedades, em vez de atenuar antigas.

A satisfação depende de pegar o que se quer, em vez de esperar pelo que é justo receber. Tudo isto entra na linguagem cotidiana que liga sexo à agressão...

As famílias burguesas dos séculos XVIII e XIX, como indica Sontag, posavam para retratos de forma a proclamar o status da família, ao passo que, hoje em dia, o álbum de fotografias da família atesta a existência do indivíduo (...) Entre os ''muitos usos narcisistas'' que Sontag atribuiu a câmera, a ''auto-vigilância'' situa-se entre os mais importantes (...) porque torna o senso de identidade dependente do consumo de imagens do eu, ao mesmo tempo colocando em questão a realidade do mundo exterior.

Em uma sociedade sem autoridade, as ordens inferiores não mais experimentam a opressão como culpa. Ao invés, interiorizam uma ideia grandiosa das oportunidades abertas a todos, junto a uma opinião inflacionada de suas próprias capacidades. Se o homem em posição inferior ressente-se dos que estão acima dele, é só porque suspeita que estes violentam os regulamentos do jogo, como ele próprio gostaria de fazer, se ousasse. Nunca passa por sua cabeça insistir em um novo conjunto de regras.

Moynihan aponta que, ... Os profissionais, ..., têm um interesse investido no descontentamento, pois as pessoas descontentes voltam-se para os serviços profissionais em busca de alívio. Contudo, o mesmo princípio forma a base de todo o capitalismo moderno, o qual tenta continuamente criar novas demandas e novos descontentamentos, que só podem ser amenizados pelo consumo de mercadorias.

Much of what is euphemistically known as the middle class, merely because it dresses up to go to work, is now reduced to proletarian conditions of existence. Many white-collar jobs require no more skill and pay even less than blue-collar jobs, conferring little status or security.

O ''crescimento'' tornou-se um eufemismo para a sobrevivência.

O que diz 'você não é culpado', também diz 'você não pode ajudar-se a si mesmo'. ''A terapia legitima o desvio como doença, mas simultaneamente pronuncia o paciente como incapaz de dirigir sua própria vida e coloca-o nas mãos de um especialista. Assim como os pontos de vista terapêuticos e a prática ganham aceitação geral, um número cada vez maior de pessoas vê-se, com efeito, desqualificadas para o desempenho de responsabilidades adultas e torna-se dependente, de alguma forma, da autoridade médica.
A expressão psicológica desta dependência é o narcisismo.

Our growing dependence on technologies no one seems to understand or control has given rise to feelings of powerlessness and victimization. We find it more and more difficult to achieve a sense of continuity, permanence, or connection with the world around us. Relationships with others are notably fragile; goods are made to be used up and discarded; reality is experienced as an unstable environment of flickering images. Everything conspires to encourage escapist solutions to the psychological problems of dependence, separation, and individuation, and to discourage the moral realism that makes it possible for human beings to come to terms with existential constraints on their power and freedom.

(...) parece que a prostituta, e não o vendedor, melhor exemplifica as qualidades indispensáveis ao sucesso (...) ela também se vende para viver, mas sua sedução pouco tem de um desejo de ser benquista. Deseja a admiração, mas zomba de quem a dá (...) Ela explora a ética do prazer que substituiu a ética da realização, mas sua carreira, mais do que qualquer outra, recorda-nos que o hedonismo contemporâneo, do qual ela é o símbolo máximo, tem origem não na busca do prazer, mas numa guerra de tudo contra tudo, na qual mesmo as relações mais íntimas tornam-se uma forma de mútua exploração.

Patológico em suas origens e inspiração psicológicas, supersticioso em sua fé pela opinião do médico, o movimento pela longevidade exprime de forma característica as ansiedades de uma cultura que não acredita no futuro.

President Nixon's press secretary, Ron Ziegler, once demonstrated the political use of these techniques when he admitted that his previous statements on Watergate had become "inoperative." Many commentators assumed that Ziegler was groping for a euphemistic way of saying that he had lied. What he meant, however, was that his earlier statements were no longer believable. Not their falsity but their inability to command assent rendered them "inoperative." The question of whether they were true or not was beside the point.

(...) Sade defendeu a auto-indulgência (comodismo) ilimitada como a culminação lógica da revolução nas relações de propriedade - o único meio de atingir a fraternidade revolucionária em sua forma mais pura (...) Sade imaginou uma utopia sexual, na qual todos têm o direito a todos, onde os seres humanos, reduzidos a seus órgãos sexuais, tornam-se absolutamente anônimos e intercambiáveis (...) O puro individualismo resultou, assim, no repúdio mais radical da individualidade.

Se o exercício desse direito (o direito de dispor de seus próprios corpos, como as feministas diriam hoje), na utopia de Sade, resumia-se ao dever de tornar-se instrumento do prazer de outrem, não era tanto porque Sade odiasse as mulheres, mas porque odiava a humanidade. Ele percebeu, mais claramente do que as feministas, que todas as liberdades sob o capitalismo, no final, resumem-se na mesma coisa, na mesma obrigação universal de sentir e de dar prazer.

The contemporary climate is therapeutic, not religious. People today hunger not for personal salvation, let alone for the restoration of an earlier golden age, but for the feeling, the momentary illusion, of personal well-being, health, and psychic security.

The illusion of feeling well-informed....a public that feels informed in proportion as it is to befuddled. In one of his characteristic pronouncements, at a press conference in May 1962, John F. Kennedy proclaimed the end of ideology in words that appealed to both these public needs-the need to believe that political decisions are in the hands of dispassionate, bipartisan experts and the need to believe that the problems experts deal with are unintelligible to laymen.

We demand too much of life, too little of ourselves.